13/04/2009

Os Mutantes - retorno, ressurreição, zombie walkers ou pura falácia estratégica?

Ela não me deixa calar: what the hell é essa pose de oncinha?


Ano passado, quando soube da notícia do retorno da banda Os Mutantes, fiquei bastante receosa, como qualquer amante de boa música equilibrado ficaria. Era como se o Paul e o George viessem com a conversa fiada de ressuscitar os Beatles! Como assim, retorno dos Mutantes? Pra quê querer estragar o nome e a reputação há tantos ácidos, digo, há tantos anos brilhantemente construída? "Ah, Elen, como você é rabugenta". Ok, vamos ouvir a tal música nova, "Mutantes depois". Oh, man, não precisa de uma segunda vez. Nada de bis. E não me venha com esse texto de divulgação nostálgico e patético, Sérgio Dias. Tantas vezes guitarrista foda que você é, tantas vezes um erro qualificar sua atual banda como um suposto "retorno" àquela da qual já fizera parte.


Bem menos gente, muito mais qualidade!

Enfim, deixei pra lá. E então, fico sabendo que esses novos-novos-mutantes zumbis (já sem o Arnaldo e a Zélia) vão lançar um CD até o final de 2009! MEDO! Medo de estragar tudo que Os Mutantes-de-raiz fizeram até o Tudo Foi Feito pelo Sol (1974). Não duvido da competência de um Sérgio Dias, longe de mim! Mas não são os Mutantes, isso não tá claro? É o Sérgio Dias com uma galera nova, outra vibe, outra foto, outro look, outro tempo! Mesmo que o baterista reminiscente Dinho (muito bom) esteja no novo projeto... não são "novos mutantes", porque isso pressupõe "velhos mutantes", e o que temos grafado na história da música brasileira é a existência dos Mutantes, num dado contexto, momento, cenário. Nem velhos nem novos (ou ultrapassados e atualizados, antigos e modernos ou qualquer dicotomia que caiba com sentidos próximos a esses adjetivos).

Essa nova banda Sérgio Dias e CIA pode até fazer um trabalho de qualidade, afinal vão gravar Jorge Ben (que, convenhamos, tá numa fase decadente, muito triste isso), Erasmo Carlos e Tom Zé. Mas porque se autodenominar Mutantes, por quê? Não é a mesma personalidade, não é o mesmo DNA!


Fiz uma busca pra saber se alguém compartilha de minha opinião (e sensação). Eis que encontro uma crítica sobre uma coletiva de imprensa após show dos novos-novos-mutantes realizado em 24 de abril de 2008 em São Paulo. O texto descreve o assédio exagerado dos fãs etc e tal, mas o trecho relevante que merece destaque aqui é o de um recém-jornalista-consciente-do-mundo:

"o rapaz quis saber por que Sérgio Dias manteria esse nome tão simbólico para a música do Brasil numa banda que era, na verdade, ele só. A pergunta fazia o maior sentido! Mas a resposta ríspida (e insuficiente) de 'porque eu sou um mutante' veio seguida de aplausos fanáticos da claque".

Isso se chama senso de realidade, oras, convenhamos! Palmas pro rapaz! Denominar esta nova e certamente competente (por isso mesmo não precisa disso) banda de "Os Mutantes" me parece mais uma estratégia de marketing. Comprando gato por lebre: consumiremos com o CD desta banda música de uma galera que está sendo vendida encapada na identidade de outra galera, aceita, prestigiada e legitimada histórica e culturalmente. Fácil ter fãs assim, não? Ora Sérgio, você não é dono da história dos Mutantes! Não me decepcione dando uma de Humberto Gessinger! Que feio!

03/04/2009

Daqui e dali, um tiquito de cada cosita

Hola! Vamos aos compromissos (nunca é tarde para cumpri-los né? olha, essa história de "your timeline, well, it's over baby", bem, quem faz o tempo é a gente né não? e o meu costuma ser lento e arrastado mermo, portanto não me importo de falar aqui de coisa que aconteceu há tempos, se é acontecimento e rende assunto tá valendo oras).

1. Festival de Jazz&Blues - principais momentos


Claramente que o ápice, o clímax, a culminância, a apoteose magnífica, enfim, a eminência da música jazzística que te faz chorar facinho facinho tava ali na minha frente, representada pelo músico-mais-amigo-do-mundo Toots Thielemans. Foi mágico, cartático, estonteante e até mesmo alucinante, posto que me vi minutos depois na loja oficial do Festival comprando uma linda gaita vintage, endividando-me lindamente na ilusão de um dia chegar ao mindinho do pé do Toots. Tsc tsc.
Domínio indiscutível de técnica vocal combinada com feeling musical=Ná Ozzetti. Meu êxtase foi tamanho diante da grandiosidade da interpretação dessa diva que esqueci completamente do meu entorno, tamanha minha concentração na maravilhosa execução da banda. Daí que comecei a fazer zoada mesmo, expressando todo o meu entusiasmo sem me tocar do ridículo de fazê-lo no teatro néam. Sorte minha que a galera toda se empolgou junto, daí sacumé, no meio da multidão há liberdade legítima pra falar coisas do tipo "canta logo uma do Itamar!". Olha, mas eu vou te contar, o que é aquela banda, principalmente o baterista-percusionista que acompanha a Ná (perfeito!) que faz parte da banda Trio+1 (o" +1" é o trompetista Joatan Nascimento, que inclusive compõe).

Ná jogando na minha cara todo seu talento


Sérgio reze, baterista-percussionista ultrafodástico

Depois quase morri de felicidade com a banda do Dominguinhos. Tá deprimido ou meio borocoxô? melhor remédio que o show dele não há, pura animação te contagiando! Destaque para o pandeirista dele, o velhinho manda muito bem no pandeiro e é muito divertido, ele me deixou feliz naquela noite gelada de fevereiro (15°C pra quem é acostumado com no máximo 25°C à noite não é uma temperatura muito amigável).

Eu toda felizinha no show de Dominguinhos

Dominguinhos provando segundo a segundo que é O CARA da sanfona, ele domina total!

Agora pra sair correndo pelo teatro gritando "Só tomando uma!" só o Paulo Meyer mesmo (figuraça!). O Show desse bluesman é simplesmente irrepetível, irresistível, inigualável, único único único. Ele não para e não te deixa ficar parado, a pilha dele é ultraalcalina! A vocalização bluzeira dele é muito boa, ele arrasa com a coitada da gaita e o guitarrista da banda frita que é uma beleza, dá até raiva desse pessoal, esses metidos, onde já se viu, detonando com qualquer pretensão minha de prever o próximo passo deles. Muito imprevisível, muito bom. Na mesma noite do show do Toots me acontece uma coisa dessa, é claro que junto com a gaita trouxe também o CD dos caras (acabei presenteando uma amiga com ele, lembrei logo dela):


fritaaa! burn baby, burn!

Os outros shows foram também muito bons, obviamente, inclusive as Jam Sessions sensacionais (olha, um eco!) que me impediam lindamente de dormir antes das três da manhã. Dormir quando se tem um Arthur Menezes executando todo serelepe altas linhas de blues? jamás!

Miacabei de dançar enquanto ele tocava pra mim (e toda uma multidão)!


2. Guaramiranga dream - principais momentos da viagem

Às sete horas da manhã tô na estrada com uma galera que conheci exatamente naquele momento (meu link com a galera: a jornalista Suzana Beckman, atual amiga que eu não suportava na faculdade, porque ela era muito metida sabe, toda bonitona e tal).

Na estrada:
- destaque para a reinação dos apóstrofos+S em quase todas as lojas e empreendimentos das ciades do interior do Maranhão (estilu's, talentu's, momenttu's..., olha, isso merece um estudo);

- há que se registrar o ônibus todo cor-de-rosa (com execeção dos pneus) da banda Pink Fashion, passando por nós na ida e na volta da viagem (muito hilário);

- Registro vivo na memória: momento em que Mauro (amigo de Suzana que se tornou meu amigo na viagem) faz dancinha sensual com a música "Take a toke", C&C Music Factory (pense numa cena engraçada! principalmente no acompanhamento do refrão"take a toke but baby it's not joke/ so strong it will make you choke"), a fim de deixar feliz Ana Paula, que estava no outro carro irritadíssima com o atraso da viagem. Quando os dois carros ficam lado a lado na estrada, baixam os vidros e Mauro faz a dancinha com Take a toke ao fundo, todo mundo siacaba lindamente. Lição aprendida: a amizade se fortalece nesses momentos bobos de riso.

- momento importante: a parada na megacasa do pai de Suzana em Parnaíba (meo deos, tinha banheiros do tamanho de um apartamento esperando por nós, churrasco, caminha coberta, redes e um anfitrião de primeira). A volta então foi um momento supremo! Depois de cinco dias dormindo em barraca, banheiro coletivo, unhas lameadas e pé inchado após picada de maribondo amarelo, uma casa! Com pizza e banheiros com água quente! sonho!

- aula de geografia: viajar de carro por dois dias é cansativo pacas, mas o que conheci em termos de topografia e clima só poderia conhecer pelos sentidos mesmo, estando ali, presencialmente (e o que são aquelas serras magníficas! me senti tão bem, tão viva, tão em processo, saca?)

- subindo a serra: braços pra fora sentindo um ar gelado-como-quê (nunca entendi direito essa expressão, mas aqui ela cabe perfeitamente pro que quero dizer), ouvindo nesse exato momento a música pirada do Andrew Bird. Momento inesquecível!

No camping:
- montando a barraca: chuva, escuro, frio. Ê beleza!
- segundo dia: chuva forte, armação da barraca começa a ceder. Colchonetes, bolsas e sono alagados. Ê beleza! Limpar a barraca, comprar lona, usar colchonetes reservas... e se acabar de dançar! e conhecer o melhor chocolate quente que por lá se podia tomar e visitar a lindinha Pacoti e comer a melhor salada do mundo! e entrar num brechó pra comprar roupa de frio e encontrar só uma que serve em você! Ê beleza!


- terceiro dia: coisas molhadas no varal. Sol? necas. Mas foi muito bacana visitar a Igreja no alto de um morro! e se acabar de dançar again and again! meu pé cada vez mais preto de lama! e minhas roupas fedendo a mofo! Ê beleza! E sentir as milhões de mariposas (milhões mesmo, colônias e colônias!) batendo nas minhas pernas e no rosto. Ê maravilha!

- quarto dia: cachoeiras. E eu com febre, garganta doendo, pernas doloridas. Fui assim mesmo, batendo o queixo, até botei o biquini, mas só fiquei sentada vendo os outros se divertirem. Buá! Foi com essa mesma febre que assisti os shows desta noite, talvez por isso eles tenham sido mais mágicos do que os anteriores... hehe. Inclusive meus pés alagaram com a chuva que tava rolando fora do teatro. Juro, sapatinho úmido e tudo mais.

- quinto dia: os melhores shows: Paulo Meyer e Toots Thielemans. Mas como nada pode ser perfeito, lá estava eu com cólicas. Mulher não é bicho estranho, mas sofredor, êta êta. Mesmo assim foi uma experiência incrível estar naquele teatro aquele dia, com cólicas inesquecíveis.

- sexto dia: arrumando as coisas pra voltar, eis que um maribondo amarelo decide se despedir de mim. Que falta de cortesia! Arrastando meu pé inchado, volto pra São Luís escutando Pedrito (muito legal!) carregando um montão de histórias divertidas, experiência musical e novos amigos! Quero voltar!


3. Blogagem coletiva

Bem, a Gisele bicha mandou pra mim este selo:


Como nenhum elogio é de graça néam, lá vem as exigências (regrinhas enjoadas):

1) Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2) Convidar oito parceiras de blogs amigos para também responder;
3) Comentar no blog de quem nos convidou;
4) Comentar no blog de nossos(as) convidados(as) para que saibam da convocação.

Minha lista:

- aprender a tocar gaita;
- ter e saber tocar flauta transversa;
- fazer uma trip pelo mundo, conhecer os lugares mais esquisitos e imprevisíveis;
- dominar completamente técnicas de canto e vocalização;
- fazer um casal de filhos;
- ter um jardim modesto e variado (flores!);
- ter uma biblioteca, não só coleção de livros, mas biblioteca mesmo, estante grande com muitos volumes, seções...
- garantir meu sustento e de quem depender de mim fazendo o que gosto: escrever e cantar.

Modestos sonhos, não? (será pedir muito?)

Passo a bola agora (mesmo que muito atrasadamente) para Camilinha Chaves, Zema Ribeiro, Kamila Mesquita, Yara Botelho... ah, já tá bom né meu povo? inté. Não me aguardem, posso voltar amanhã ou quem sabe no outro mês, depende da lua e das pessoas me esquecerem um pouquinho. Quando tô pouco badalada venho aqui, sacumé...

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